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divinos brasis que vivi e vi............foto: rui faquini

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A qualificação do Turismo para a Copa do Mundo

O Programa Bem Receber Copa é hoje um dos maiores exemplos de como a continuidade de políticas publicas é praticamente impossível no Brasil, e talvez os maiores culpados são justamente os que cobram isto.

Se o Plano Nacional de Turismo, feito por mais de 100 pessoas do Trade foi abandonado pelos últimos Ministros, o que dizer de um programa que se tornou o bode expiatório dos escândalos no Ministério do Turismo?

O Bem Receber Copa é talvez o único programa de qualificação do turismo criado dentro do ambiente institucional correto e validado por todos os entes do Trade Nacional, mas hoje é mais fácil ignorá-lo do que defende-lo. O próprio conselho de entidades fez questão de omiti-lo na sua carta ao novo Ministro e vai pagar o preço pelo medo. Mas vou fazer meu papel de quem foi, conferiu e gostou do que viu e contrariando a lógica de chutar cachorro morto vou elogiar.

O programa Bem Receber Copa nasceu dentro da Câmara de Qualificação do Conselho Nacional de Turismo, um grupo de pessoas escolhidas por seus pares dentro do Conselho. Nesta Câmara Técnica, ficou estabelecido o cerne do trabalho: Qualificar os profissionais linha de frente do turismo brasileiro, com foco nas cidades sedes da copa do mundo. Com este recorte, a equipe do Ministério do Turismo, através da Diretoria de Qualificação fez o dever de casa e definiu metas e diretrizes do Programa. Posso dizer que até discordo de algumas, mas elas foram criadas com coerência.

Depois dos objetivos, metas e territórios definidos o programa foi apresentado ao Conselho Nacional que validou a proposta. Ainda dentro do Conselho ficou estabelecido que as entidades do setor seriam os executores das ações, com a anuência de seus pares, e assim as entidades se reuniram e indicaram aquelas que tinham mais estrutura e experiência em gestão de projetos. Posso ate discordar de algumas, mas reconheço que o modelo de políticas públicas foi o mais coerente e transparente de todos os tempos.

Neste ponto o projeto Bem Receber Copa não pode ser confundido em hipótese nenhuma com os outros projetos suspeitos. Primeiro que não se tratam de emendas parlamentares, depois que tudo passou pelo Conselho Nacional e as entidades não são de fachada, mas sim instituições com anos de história a serviço do Brasil. Se bem ou mal, fica o julgamento de quem quiser, mas são entidades setoriais, o que é muito diferente de ONGs, pessoas físicas ou escritórios de fundo de quintal.

O programa então foi dotado de duas estruturas de apoio realizado por duas entidades de respeito: A FGV, que estruturou a metodologia geral de qualificação, avaliou e ajudou na elaboração dos planos pedagógicos e estruturou um sistema de avaliação do aprendizado; e a Casa Brasil, com sua equipe especializada em gestão de projetos, planejamento participativo e políticas públicas, que apoiou no plano de ação, acompanhou as entidades nos convênios, elaborou um banco de dados dos profissionais e empresas e de quebra desenvolveu um observatório que informa os passos, ações, agenda do programa, além de disponibilizar a maior biblioteca de produtos produzidos de qualificação no Brasil - www.observatoriobrc.com.br

Só não entendo porque os relatórios do TCU e as matérias jornalísticas dizem que não existe nada. Como podem afirmar isto sem ao menos investigar as ferramentas na internet? Qual programa para a Copa possui um observatório? Qual programa tem um grupo de planejamento e avaliação? Por que esse interesse em denegrir entidades e projetos críveis e reais?

Os resultados são muito bons para o caráter piloto, no observatório os números começam a ganhar dimensão e evidenciam que o programa esta no caminho certo. No Ministério do Turismo os técnicos estão com medo, não assumem mais nada. Os advogados do MTUR só pedem para as entidades devolverem os recursos, mesmo já tendo aprovados os projetos anteriormente, numa clara intenção de lavar as mãos.

Durante 18 meses o programa que saiu do zero já apresenta números bastante expressivos, com resultados surpreendentes e participação dos alunos. É um enorme desafio qualificar 300 mil pessoas para o atendimento internacional, não é do dia pra noite. Mas isto pouco importa, o que importa é achar culpados, mesmo que não fique provado.

Quem realiza as ações de qualificação são a Fundação Roberto Marinho que eu imagino deve entender alguma coisa de educação a distância, a ABIH uma das entidades de classe mais antiga do país e a mais antiga do turismo, são 70 anos de história, a ABRASEL com seus mais de 1 milhão de associados, enfim, entidades legítimas. Se alguém acha que existem fraudes é necessário provar, o ônus da prova é do acusador.

No caso do Bem Receber Copa acho que os resultados devem ser avaliados antes de serem julgados.

Por fim o Programa realizou dois seminários técnicos. Um com as entidades executoras e o Sistema S, e outros parceiros em São Paulo, e outro seminário em Brasília no final de 2010,quando apresentou os resultados, inclusive para o Ministério Publico e Tribunais de Contas, já que todos foram convidados a participar. Nestes eventos foram colocados a prova as metodologias e resultados.

Hoje vejo na portaria do Ministro que o Bem Receber Copa foi transformado em bode expiatório, livrando os convênios de emendas parlamentares do foco. E mais uma vez o Brasil vai ver uma oportunidade passar, jogando fora anos de desenvolvimento coletivo em nome de uma moral feita nos acordos de bastidores, negando mais uma vez o Conselho Nacional de Turismo e sua autonomia, mostrando em definitivo que os lideres do setor não serão ouvidos.

Neste paiol tem joio mas tem trigo, e pelo visto isto não faz a menor diferença.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O desafio do Brasil e o terrorismo contra o terceiro setor

Quando era jovem ouvia dizer duas coisas sempre que debatíamos sobre política e sobre o Brasil:

O Brasil é o país do Futuro

A sociedade tem que participar da construção deste futuro

Hoje estou as voltas com estes dois chamados, mas já não tenho a mesma empolgação de antes... Estamos vivendo um país das versões, da liberdade de imprensa e dos fiscais, mas de uma total mordaça ao cidadão independente.

A mídia brasileira, dominada por empresários da comunicação, vem em conluio com algumas instancias de controle brasileira revertendo a ordem do Estado de Direito na defesa da mesma ordem.

Hoje a sociedade organizada em associações, oscips, OSs, esta sendo impelida a sair do jogo na gestão publica, principalmente aqueles que são sérios e tem nome a zelar.

A maneira como o nome de uma pessoa pode ir parar na mídia sobre uma suspeita de mal uso do recurso publico é muito injusto. Um procurador, promotor, delegado, investido de sua liberdade de investigação e pouco conhecimento do mundo real para a realização de projetos levanta suspeita e abre um inquérito. Pronto, um jornalista denuncia - e não se sabe como ele conseguiu as informações antes mesmo dos supostos réus serem informados.

Quantas vezes não ouvimos dizer no noticiário: a Rede tal conseguiu com exclusividade imagens de um inquérito, ou gravações de um processo. Como ? Um agente publico forneceu informação de graça? Porque uma emissora conseguiu e outra não, foi privilégio? Porque ninguém acha isto curioso?

As vezes da vontade de processar... aí o advogado te alerta:

1 -.. pra que criar caso com a imprensa, com o Ministério Público?

2 - Criar caso, mas eles falaram sem me ouvir, sem saber das coisas direito...

3 - Esquece, eles não vão te ouvir e vão te perseguir...

O que vale uma vida com currículo, ações, posturas publicas, resultados, dedicação a causas ambientais, sociais, culturais, ...?

O que vale a versão de um jornal ou de uma acusação que não se confirma após a veiculação na mídia?

Não se trata de defender picaretas ou muito menos de promover uma atitude corporativista, alias o grande mal da policia, da imprensa, da medicina, do parlamento, do Brasil.

Defendo a liberdade de expressão e não apenas da imprensa, defendo o contraditório, defendo as corregedorias formadas por comissões mista e não apenas dos pares profissionais.

Defendo um país justo, meritocrático e que permita a participação da sociedade civil organizada com regras claras, sem hipocrisia, se caixa dois, que valorize os profissionais pela competência, defendo uma sociedade que não se limite a criticar os errados, mas que valorize os que fazem bem feito.

Defendo promotores de justiça que promovam a justiça, fiscais das contas que fiscalizem os resultados e não apenas os papeis, defendo um ambiente justo com a possibilidade de uma justiça compartilhada pelas partes e não apenas feita a luz de uma só cabeça.

Defendo um país feito por todos nós.