Há algum tempo estamos envolvidos com alguns dilemas reincidentes no Turismo.
A baixa importância política e de investimentos do setor de turismo são frutos da falta de dados estatísticos econômicos e de uma estratégia de divulgação dos seus benefícios, e muito sugerem de pronto a necessidade de se edificar um observatório, isto é uma ferramenta ou instrumento de coleta e sistematização de dados que nos permitam gerar conteúdo e inteligência para o setor.
Nas minhas andanças pela banda larga, tenho observado que muitos observatórios foram criados pelo país, compreendendo a importância das justificadas causas citadas. Quase em sua totalidade os Observatórios são frutos da parceria entre o estado e as universidades e praticamente todos se voltam para a construção de um grande banco de pesquisas, dados estatísticos e conseqüentemente informações, profissionais e artigos. Nada mal.
No entanto, não efetivamos o que deveria ser uma base de dados que nos permita a qualquer tempo e hora, buscar relatórios de interesse mercadológico, institucional e mesmo acadêmico, pois não temos os dados organizados em uma base amigável.
Os dados estão nas pesquisas e nos relatórios, então precisamos padronizá-los, montar planilhas a cada vez que quisermos criar um cenário.
Os empresários sonegam informação, e sem os dados lá se vão as possibilidades de desenhar a sazonalidade, o impacto do turismo na economia local, o número de empregos, enfim, lá se vai a nossa chance de montar um espelho de nossa atividade.
Para a Academia, as bibliotecas virtuais e as pesquisas disponíveis já atendem bem. Para os empresários alguns números dos “outros” já atendem bem.
Para os Governos este negócio de dados é coisa do Planejamento, ficamos livres de ter que pensar.
Como se não bastassem as dificuldades inerentes a nossa atividade, intensiva em informalidade, ainda sobram os ciumentos de plantão, sonegando parcerias entre entidades, muito maiores dos que suas passagens por elas.
Quando ainda era Secretário de Turismo de Goiás tive que escutar de muitos professores de turismo, que da matéria nada entediam, que só realizariam as pesquisas se o estado pagasse, mesmo sabendo que o papel das universidades num “cluster” é fazê-las. Foram muitas as vezes que certos professores preferiam realizar pesquisas em destinos insignificantes com o discurso da liberdade acadêmica, do que juntar os esforços numa pesquisa coletiva entre as universidades. Aliás as universidades nunca conseguiram trabalhar juntas, e desperdiçam milhares de alunos e horas de professores em repetir coisas inúteis sem ao mesmo utilizar a mesma ficha, o que permitiria ao longo dos tempos consagrarmos uma série histórica.
Parece que estou fora do tempo, não sei se na frente ou atrás, só sei que do que conheço (até onde permite meu conhecimento) de TI, nós estamos desperdiçando muitos milhões de reais em projetos pessoais e que não estão edificando inteligência competitiva. E viva a Portugal.